quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

APCO - A origem do P25 e a criação do SIRCE-BR


Na década de 70 o espectro de 900 MHz, utilizado pelas forças de segurança pública, estava congestionado nos EUA, provocando uma enorme deficiência operacional que forçou a intervenção da Comissão Federal de Comunicações (Federal Communications Commission - FCC/ http://www.fcc.gov/), agência reguladora (funções semelhantes a ANATEL) que, a principio, propôs a troncalização de 200 canais de radiofreqüência sem definir um padrão de tecnologia de troncalização especifico para as atividades de Segurança Pública. Para suprir esta lacuna a Associação de Oficiais de Comunicações em Segurança Pública dos Estados Unidos (Associated Public-Safety Communications Officers - APCO/ http://www.apco911.org/) criou um grupo formado por policiais da área de radiocomunicações que, em parceria com empresas de telecomunicações, pesquisaram soluções tecnológicas e operacionais que permitissem a definição do melhor padrão de troncalização para o serviço de radiocomunicações a ser utilizado pelos órgãos públicos (polícias, bombeiros, etc) na América do Norte. Surge (em 1978), o Projeto 16, como resultado destes estudos. Foram instaladas, em regime de teste, estações de radiocomunicações em diferentes cidades do EUA ( Miami, Los Angeles e Chicago). Na rede de Chicago foram instaladas 150 estações denominadas Special Mobile Automated Remote Terminals (SMART) para o tráfego de dados prioritários em ocorrências policiais. Na verdade, eram 3 linhas de informações básicas, como endereço, telefone e o nome da pessoa contato, para que as viaturas pudessem se deslocar para o local de chamada com maior agilidade. No EIA (Electronic Industries Alliance), formado pelas Indústrias de Eletrônicos dos Estados Unidos, esse projeto ficou conhecido como APCO 16 ou simplesmente Projeto 16. Os primeiros equipamentos foram comercializados pela empresa Motorola Inc., e por um longo período foi considerado como um padrão fechado de rádio troncalizado. Poucos anos mais tarde, as demandas por tráfego de dados obrigou a tecnologia digital a substituir as redes analógicas do Projeto 16 e ,como ocorreu no início, foram realizados inúmeros estudos, surgindo um novo sistema que recebeu a denominação de Projeto 25 (P25). A comercialização desse padrão (P25) se expandiu além das fronteiras dos Estados Unidos sendo adotado, atualmente, em inúmeros países. As especificações técnicas do P25 estão descritas nos documentos da série TIA-102. No Brasil, o Projeto 25 está presente nas comunicações dos órgãos policiais das grandes metrópoles, como em Belo Horizonte e São Paulo.
A documentação técnica do padrão P25 pode ser encontrada com facilidade em páginas de busca da internet, ou acessando as páginas da TIA, FCC ou do Instituto de Padronização Nacional Americano (American National Standards Institute - ANSI). Como exemplo, a publicação do documento BSR/TIA 102.AAC/2001, o qual descreve os requisitos técnicos para o tráfego de mensagens pelo canal de controle em uma rede P25. A publicação dessa documentação técnica possibilitou inúmeras empresas concorrentes (EF Jonhson, MOTOROLA, VERTEX, TELTRONIC, entre outras, a fornecerem soluções P25.

Observa-se, neste breve e sucinto relato histórico, que o padrão 16 e o padrão 25 resultam de uma necessidade, técnica e operacional, que foi detectada por um organismo federal (FCC), que tem a função de regular o uso do espectro de frequência dos EUA, e que depois foi ajustada para atender, com qualidade, as demandas das Forças de Segurança Pública e Emergência Norte Americanas. Portanto, foi uma solução de atendimento de demanda proposta pelos usuários, onde as especificações técnicas devem atender, de forma especifica, os clientes (policia, bombeiro, etc.) ou seja, a tecnologia deve se adaptar ao cliente e não o cliente se adaptar a tecnologia, como normalmente ocorre no Brasil e em outros países colonizados tecnologicamente.

A filosofia APCO, que promoveu a criação do PROJETO16 e do PROJETO25, é que deve ser utilizada como referência. Até hoje confunde-se a APCO (Associated Public-Safety Communications Officers - APCO) formada por Profissionais de Segurança Pública e Emergência (que atuam em radiocomunicações para Missões Críticas), com a uma proposta de solução técnica de radiocomunicação (P25). No Brasil, a SENASP deu o ponta pé inicial no processo de libertação das soluções de "CAIXA PRETA" - as empresas empurram nos órgãos de segurança dos estados e municípios suas soluções de prateleira, algumas recusadas em seus países de origem, outras são protótipos sem avaliação prática (nunca foram empregadas em campo). Em 2009, em Brasília, reuniram-se representantes técnicos de radiocomunicações, para missões Críticas, das Secretarias de Segurança e do DPF com a missão de criar uma base técnica e operacional que atendesse as reais demandas de um sistema de radiocomunicações, com padrão brasileiro. Para atingir este objetivo foi criado, naquela data, o Sistema Integrado de Radiocomunicações Criticas e Emergência do Brasil - SIRCE-BR que, a exemplo da APCO, terá como objetivo normatizar o padrão de radiocomunicação para o atendimento das necessidades especificas das forças policiais e de emergência que atuam em território brasileiro e até mesmo, quem sabe em futuro próximo, em países do Merco Sul.

Cap PM Renato Cesar

Um comentário:

  1. ola,boa noite.
    gosto muito do assunto,sou radioamador e amante de comunicações
    e no caso da MRS aqui em mg,qual sistema estão usando agora.
    so se ouve um zumbido.

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